MST E GOVERNO DE SERGIPE TRABALHAM NA VALORIZAÇÃO DO HOMEM DO CAMPO

Governo de Sergipe e MST trabalham para valorizar o homem do campo


Eldorado dos Carajás é uma lembrança sentida na memória dos militantes do Movimento Sem Terra. Em abril de 1996, 19 militantes do movimento foram chacinados pela Polícia Militar do Pará na região com o mesmo nome. Eldorado dos Carajás se tornou, desde então, um símbolo da luta dos trabalhadores pelo direito de plantar e colher em seu próprio pedaço de terra.
O nome serviu também como inspiração para  um dos 210 assentamentos de Sem-Terra em Sergipe. Localizado em Canindé de São Francisco, ocupando o lugar da antiga fazenda que pertencia à rede GBarbosa, o assentamento é um exemplo da bem-sucedida experiência do Governo de Sergipe em realizar uma reforma agrária pacífica e que já se tornou referência no país.
José Santana, coordenador do assentamento, nos recebe na entrada da fazenda. É um senhor forte, completamente vestido de MST, vermelho da cabeça aos pés. Aparência de cansado, marcas no corpo, calos nas mãos. Reflexo de trabalho duro. No rosto, as olheiras e pés-de-galinha são nítidos. Mas em seus olhos refletem a alegria e o alívio de ter vencido a luta.
O Eldorado dos Carajás é semelhante a uma fazenda tradicional. A porteira de madeira está sempre aberta. Logo na entrada observamos os moradores das tendas de lona preta sustentadas por pedaços de madeira. Esses companheiros esperam o cadastro do seu lote. Logo à frente há a casa do José Santana. A maior de todas, bem estruturada e com um grande alicerce.  Varanda bonita, cabrestos pendurados. Andando mais um pouco pelo caminho de terra, encontramos os lotes das famílias assentadas. Algumas casas já construídas, outras em finalização.
Desde 2007, 41 famílias vivem no assentamento Eldorado dos Carajás. Não é uma vida fácil. A maioria ainda espera o seu cadastro para apropriar-se de um lote em Eldorado. Por enquanto, moram em tendas de lona preta. Mesmo assim, estas famílias plantam, colhem, geram lucros e também contribuem para o desenvolvimento do assentamento. Até agora, mais 90% das casas já foram construídas.
Um deles é seu Vanilson da Silva Lima. “Graças a Deus, agora eu tenho meu lotezinho de terra. Posso plantar e colher. Tudo fruto do meu trabalho”, diz o agricultor. “As coisas estão muito diferentes agora”, ele afirma. É notável: para quem vivia em um barraco de lona na beira darodovia SE-403, a vida melhorou tanto que lhe faltam elementos de comparação.
Sua casa é simples, paredes rebocadas, telhado bem montado; chão de cimento e portas de madeira. Tudo limpo, organizado. Seu Vanilson olha em volta, e aponta a sua plantação de batatas, perto de um lago onde ele pesca.  “Em mais ou menos dois meses e meio eu já posso colher”, explica. Em sua voz há uma mistura de alegria, orgulho e esperança.
Para ilustrar a atual situação do assentamento, conversamos com Antenor Florentino, um dos coordenadores do MST em Canindé. Ele nos falou da situação anterior dos homens do campo e disse que, hoje, a realidade é completamente diferente. Também conversamos com o seu Vanilson, que nos apresentou sua casa. Confira!
“Alguns companheiros passaram quase nove anos vivendo debaixo da lona. Sofreram repreensão de fazendeiros, mudaram os barracos para a beira da estrada. Famílias com crianças pequenas que passaram por muitos problemas. Mas, graças a Deus, essa realidade está mudando”, afirma outro coordenador dos assentamentos do MST em Canindé, Anselmo Duarte.
A luta e a mudança
Curiosamente, a luta dos Sem Terra é anacrônica. Em países desenvolvidos, o problema da ocupação da terra já foi resolvido há muito tempo. Por isso é curioso que, em pleno século XXI, lavradores ainda estejam em busca de um pedaço de chão fértil onde possam produzir. Ainda mais impressionante é um dado já consagrado: em Sergipe, a agricultura familiar é a maior responsável pela produção de alimentos.
Essa contradição entre a posse da terra e produção é uma das mais graves consequências do modelo de colonização a que foi submetido. A divisão do território brasileiro em capitanias hereditárias, subdivididas em sesmarias doadas a amigos, resultou em uma distribuição de terra que se inclui facilmente entre as mais injustas do planeta, em que latifúndios improdutivos se tornaram a norma e um dos mais graves problemas estruturais do país. Os latifúndios emperraram o desenvolvimento agrário do Brasil e criaram uma sociedade desigual.
Foi essa longa história de desigualdade que o Governo de Sergipe teve combater nos últimos quatro anos, ao dar início a um dos mais ambiciosos — e bem-sucedidos — programas de reforma agrária do país. Quem nos fala isso é o diretor do MST em Sergipe, João Daniel. Assista o vídeo:
Desde que assumiu o Governo de Sergipe, em 2007, o governador Marcelo Déda começou a trabalhar a distribuição de terras em Sergipe. Em parceria com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA –, e através da Secretaria de Agricultura – SEAGRI – foram aplicados R$ 55,5 milhões na aquisição de 70 imóveis em uma área de 27.714 hectares. Isso equivale a pouco mais de 90 mil tarefas de terra no Estado, distribuídas nos municípios de Canindé de São Francisco, Carira, Monte Alegre, Nossa Senhora da Glória e Poço Redondo. Até agora, 1.116 famílias de Sem Terra foram beneficiadas. Proporcionalmente, é algo inédito em toda a história da reforma agrária brasileira. E o melhor: nenhuma enxada empunhada para a violência
FONTE: e-sergipe.


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