ITÁLIA VAI CORTAR 45, 5 BILHÕES DE EUROS EM GASTOS

O gabinete de ministros do governo da Itália aprovou, nesta sexta-feira (12), um pacote extraordinário de medidas de austeridade que prevê cortes de 45,5 bilhões de euros no orçamento até 2013 para equilibrar as contas públicas do país. O plano entra em vigor imediatamente, mas precisa ser ratificado pelo parlamento nos próximos 60 dias.
O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, disse que 20 bilhões de euros serão cortados em 2012 e outros 25,5 bilhões de euros em 2013. Segundo ele, as medidas de austeridade afetarão as províncias e municípios italianos, com a retenção de 9,5 bilhões de euros em repasses que o governo de Roma destina às regiões.
O premiê da Itália, Silvio Berlusconi, anuncia plano de corte de gastos nesta sexta-feira (12) (Foto: Reuters)O premiê da Itália, Silvio Berlusconi, anuncia plano de corte de gastos nesta sexta-feira (12) (Foto: Reuters)
“Este programa vai na direção do que o Banco Central Europeu recomendou, por isso o BCE interveio no mercado na segunda-feira e comprou os nossos títulos”, afirmou o premiê. Berlusconi disse que a “especulação está se dirigindo para os países com maior quantidade de títulos em circulação” como a Itália, e que por isso as medidas são urgentes. O presidente da Itália, Giorgio Napolitano, que é de centro-esquerda e da oposição a Berlusconi, aprovou as medidas em caráter emergencial.
Cortes de gastos
Berlusconi também disse que foi aprovado um “imposto de solidariedade” (que atinge a fatia mais rica da população) e a idade da aposentadoria das mulheres italianas subirá gradualmente para 65 anos. Os ministérios também terão menos dinheiro. Segundo Berlusconi, serão cortados 6 bilhões de euros no orçamento para os ministérios em 2012 e 2,5 bilhões de euros em 2013. Só a pasta da Saúde foi poupada. O premiê ressaltou que a Itália está exposta a “ataques especulativos” do mercado e precisa se proteger.
“Meu coração chora sangue por ter metido as mãos dentro dos bolsos dos italianos”, afirmou Berlusconi. Esta é a primeira vez em quase 20 anos de vida política que o magnata das comunicações e primeiro-ministro aceita aumentar os impostos para os contribuintes mais ricos. “A situação atual é dramática”, admitiu Berlusconi, que considera que as medidas são “inevitáveis”.
Resgate
É a segunda vez em um mês que o governo conservador se vê obrigado a endurecer o plano de ajuste para salvar a Itália da especulação financeira. O Banco Central Europeu teve que adquirir esta semana títulos do Estado italiano devido ao fato de seu valor ter atingido níveis recorde, aumentado o valor da imensa dívida pública.
Com as medidas de austeridade, a Itália tenta se defender do ataque dos mercados, nervosos devido a sua enorme dívida pública de cerca de 1,9 trilhão de euros, 2,7 trilhões de dólares (cerca de 120% do PIB) e a um crescimento econômico quase nulo na última década.
Giulio Tremonti, ministro de Finanças, disse que o governo reduzirá o déficit 3,9% neste ano e outros 1,6% em 2012, para chegar ao equilíbrio em 2013. Tremonti ressaltou que esse objetivo será alcançado apenas com as “reduções das despesas” porque “aumentos de impostos não seriam considerados válidos por Bruxelas”. O ministro Tremonti disse que a estrutura burocrática de alguns municípios poderá ser extinta e eles serão incorporados a outros municípios maiores e o mesmo poderá ocorrer até com províncias.

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